quarta-feira, 28 de outubro de 2009

DIA 21 - Algum lugar no interior da Argentina

Sai de San Pedro (dava para ficar mais um ou dois dias por conta de outros passeios) e percori o Passo Jama (a passagem nas montanhas que vai para a Argentina). Uma parte inclusive é patrimonio da humanidade por sua beleza (uma estrada cheia de curvas com o vale ao fundo). Agora, se é para tombar, pode tombar as estradas de Cuzco e da Cordilheira Blanca que nao deixam nada a dever.
Cheguei a Jujuy determinado a trocar os pneus. Levei 03 horas desde conseguir os pneus, comprá-los e instala-los. Este atraso mais os tramites da fronteira me deixaram com pouco tempo para a estrada. Fiz apenas 570 km ate anoitecer e eu parar em General alguma coisa, perto de Salta.
Sinceramente, a viagem, de certa forma, acabou. De volta a civilizacao, ao calor, a planicie, agora é só acelerar para chegar a Porto Alegre. É como no inicio da viagem, quando a curtiçao só começou dias depois da saida, quando subimos o altiplano na Bolívia.

DIA 20 - San Pedro de Atacama (paseos)

Fazer turismo é acordar as 3:30 da manha para ir ver os geisers de Tatio (excursao). O problema é que depois de conhecer os geisers da Bolívia (Uyuni, tem alguns anos), os daqui sao menos expressivos. Do mesmo jeito teve um banho em uma piscina de agua termal, o do Uyuni foi mais bacana (a paisagem era mais bonita). Mas valeu. A tarde fui as lagoas do salar de atacama, ai sim o passeio se destacou. Primeiro a paisagem entre montanhas distantes e um deserto no meio. Depois as lagoas em si. Primeiro uma com alta salinidade na qual voce nem querendo consegue afundar. Simplesmente se boia como se estivesse em um colchao. Tipo quando se tem aquelas pranchas de isopor para flutuar. Depois tiveram duas "piscinas" que pareciam cavadas no sal. Nao entrei. A ultima lagoa era um espelho de agua no qual se andava o quando quisesse com agua na canela. O fundo todo de sal em cristais (branco) dava o efeito na agua. Pena que a noite perdi o terceiro passeio que era a observaçao do céu com telescópios (o passeio da tarde entrou pela noite).
Hoje encontrei uns tantos motoqueiros brasileiros (um grupo grande e mais velho que queria mais fara) e dois malucos que me convidaram para fazer o deserto de Uyuni (se nao fosse o tempo e os pneus carecas eu encarava - esse esta na lista para o futuro, nao fiz quando estive na Bolivia por que o pais estava no caos da Revolta Campesina).
Alias, desde que entrei na Panamericana devo ter passado por dezenas de motoqueiros (europeus, argentinos e brasileiros).

segunda-feira, 26 de outubro de 2009

DIA 19 - San Pedro de Atacama

Sai em Iquique atras do Pneu e de informaçao sobre o seguro que é exigido para passar pela argentina (o meu venceu no domingo - dia que era previsto o retorno ao Brasil). O comercio aqui só abre as 11 da manha. Entao fui para estrada e cumpri os 600km do dia até Sao Pedro do Atacama.
Antes passei pela Estrada Panamericana (uma estrada que atravessa o interior do Chile, à direita a serra que desce até o Pacífico, à esquerda a Cordilheira). De Arequipa até Iquique já tinha passado nesta estrada em outra viagem, continuando pelo litoral até quebrar perto de Antofagasta. Desta vez fui por dentro para dar mais sorte.
Em Calama consegui fazer o seguro, mas nao achei o pneu. E agora que cheguei em San Pedro só vou troca-lo na Argentina (vai ter que aguentar, apesar de já estar bem chato de pilotar a moto, principalmente nas curvas).
San Pedro é uma cidade de dois mil habitantes e um monte de turistas (muitos brazucas) no pé da montanha (nao como aqueles picos verticais, mas mais suave, uma grande rampa). No meio do deserto (quente de dia e frio à noite). Bem turistica, com varias ruas com agencias de turismo, restaurantes, hoteles e por ai vai.

domingo, 25 de outubro de 2009

DIA 18 - Iquique, Chile

Depois da experiencia de ontem, encarei a estrada de novo - tres dias sem andar de moto em Arequipa. Rodei 800km pela Panamericana, cruzei a fronteira (duas horas de burocracia), troquei dinheiro em Arica e cheguei inicio da noite em Iquipe, no litoral chileno. Interessante estar de manha a 2.800m de altitude, do lado da Cordilheira, entre os peruanos, e a tarde no nivel do mar entre os chilenos. Ai vem as diferencas: no Perú cidades mais animadas com festas e apresentacoes na rua, buzinas o tempo todo e a cachorrada atras da moto. No chile poucas pessoas nas ruas, silencio e quase sem cachorros. Outra: no Peru o tempo todo a presenca da policia, que no chile quase nao se ve.
Nao troquei o pneu em Arequipa, vou tentar amanha cedo em Iquique - uma cidade relativamente grande.

DIA 17 - nascente do Amazonas




Acordamos as 4 da madrugada. Seguimos de carro até a montanha Misme, primeiro no asfasto, depois na terra, depois só as marcas dos pneus até quase desaparecerem. Chegamos a "placa", um paredao de vinte metros de altura que salta da montanha de onde saem diversos veios de água, sendo um considerado a nascente. Comecamos a caminhada por cima da placa. Caminhar, subindo e descendo as pedras, a 5.000m de altitude com metade do oxigenio do nivel do mar - pode preparar o fôlego. Fomos ate uma lagoa que, segundo o guia seria uma nova possibilidade de nascente do rio, mas nao é oficial. Depois descemos o paredao e o percoremos todo. Comecou a nevar fraco, esfriou e ate trovejou. No final do paredao, já voltando para o carro aparece a nascente oficial com a água brotando do paredao. Um espetáculo do capricho da natureza. Aliás nao importa bem se a nascente é mais para lá ou para cá. A regiao toda é linda. Faz pensar sobre morar em um apartamento, trabalhar de segunda a segunda, assistir televisao e comer Mac. Perdemos de fato bastante do que somos. Quando achamos a nascente tivemos que sair as pressas para evitar a nevasca que cairia logo em seguida e deixaria a montanha branca. Final do dia tinhamos voltado para Arequipa.

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

DIA 16 - Colca (dia 01 da rio amazonas)


Ontem a noite fizemos uma despedida do grupo (menos o chico que ficou dormindo). Hoje cedo a turma sumiu no mundo rumo ao chile. Eu arrumei minhas coisas (deixei parte na moto, parte no hotel e trouxe outra parte ainda), troquei dinheiro, comprei mantimentos e as 9 o carro da agencia me pegou para o passeio. Entramos na regiao do Colca com muitos vulcoes (montanhas nevadas) e o canion do Colca (milhares de metros de altura - sem exagero, o itambezinho/RS é nenem aqui). Aqui estao os tumulos incas (onde acharam a múmia super conservada - aqui faz muito frio e é muito seco - sao os desertos peruanos). Vamos pegar trilhas com o carro, sem estrada, entao so com guia e veiculo 4x4. Vamos dormir hoje em Chivay (3.600 metros de altitude), em um hotel, a base para todos os passeios na regiao. No passeio serao apenas eu e um guia - " o melhor da regiao" porque quase ninguem faz este passeio. É muita desinformaçao, nem os peruanos sabem que o Rio Amazonas nasce aqui, todo mundo para quem perguntei me mandou ir para o norte do Peru.

quinta-feira, 22 de outubro de 2009

DIA 15 - Arequipa (manutencao da moto) - revisto


Tive que perder um dia aqui em arequipa. Com esse sao quatro dias de atraso no cronograma. O pneu dianteiro da moto acabou! Queria ter trocado ele na Argentina por ser mais barato, mas nao da mais. O problema é que apesar de ser uma cidade grande, nao tem estrutura para viajantes de moto. Foi dificil achar o pneu e nao tem balanceamento na cidade. Desta forma, o retorno previsto para o dia 25 fica, agora, para o dia 29.
-Bom, essa era a previsao. só que o fantasma da chave para retirar a roda dianteira (que nos incomodou quando o chico furou o pneu) voltou a atacar. Tínhamos feito, eu e o guilherme, em Nazca, duas chaves improvisadas com parafusos soldados para retirar a roda, mas as chaves falharam e nao tem um ferramenta em Arequipa para tirar a roda. Isso porque estou rm uma autorizada da Honda que ligou para todo mundo e eu ainda fui em varias oficinas e lojas. Nada. Tenho um pneu careca na moto e um novo (ja comprado), mas nao consegui trocar. Como ia perder outro dia e so ia voltar ao Brasil na sexta (dia 30) porque tive que mandar fazer uma chave no torneiro, mudei a programacao. Os caras precisavam seguir viagem e eu estava com vontade de seguir no meu ritmo. juntei as duas coisas. Comprei um treking para a nascente do Rio Amazonas! Um passeio que estava no meu roteiro de viagem antes de topar viajar com os gauchos. Agora voltarei a minha especialidade: viagem solo.
Dever de casa para o Brasil: processar a Yamaha, mas isso será outra história...
Ontem quase dormi em cima da moto na estrada para Arequipa. Isso de acordar com as galinhas toda a viagem e dormir tarde chegou no limite. Aproveitei que ia ficar aqui e descansei um pouco mais.
Hoje chegaram o chico e o sergio que tinham ficado em Lima (por dois dias viajamos so eu e o guilhermito). O chico ja chegou reclamando de tudo e querendo ir embora (falta o espirito do motoqueiro estradeiro no cara - o easy rider).