quarta-feira, 27 de março de 2013

Dia 15 - bônus

O plano era sair de Posadas e dormir em Caxias. Não deu certo (mais ou menos). Primeiro atrasamos para sair, trocando o pneu da moto do Guillermito. O pneu off-road estava se despedaçando pela pista. Chegamos na estrada às 10:30. Depois perdemos a balsa de volta ao Brasil. A ultima sai às 11:30. Tivemos que esperar a próxima, às 14:00, em San Xavier (120km de Posadas). Almoçamos e decidi conhecer a Missão de São Gabriel. Estamos na região das missões jesuíticas. Nos separamos, Guillermito foi direto para Caxias. Eu calculei uma chegada por volta de 21:00 (cerca de 550km). À tarde fui às ruínas e lavei a moto. Daqui a pouco vou ver o show luzes e sons que acontece nas ruínas. A cidade é bem estruturada. Assim vou ficar mais um dia na estrada, amanhã almoço em Caxias e à tarde chego em Canoas, a base final.

terça-feira, 26 de março de 2013

Dia 14 - Posadas

O circulo se fechou. Voltamos para Posadas com quase 7.000 km percorridos. Estradas boas, calor e sem chuva. Aliás, depois de Tarija, ou melhor, de La Paz (carretera da muerte), não pegamos mais chuva. Essa era uma preocupação, principalmente nas estradas de terra e, mais ainda, nos salares. Deu para ver das marcas nos atoleiros que com chuva, deve ser muito mais difícil de passar. Só fui ver uma nuvem no céu de novo na saída do Deserto de Dalí. Demos sorte, afinal, enquanto acompanhava o tempo na Bolívia antes da viagem começar, estava chuvendo quase todo dia, com previsão de 40% de chuva para os dias de viagem. Agora vamos sair para comer uma parrilla com uns colegas que conhecemos na ida da viagem.

Dia 13 - Chaco argentino

Saímos tarde do Passo Jama, 9:00hs. Depois de 200km ainda na paisagem de montanha, frio e ar rarefeito, fiz pela terceira vez a quebrada das montanhas arco-iris e, em menos de 100Km até Jujuy, descemos de 4.200 m.a.n.m para 700m. Em um total de 570km, dormimos em Monte Quemado, já no chaco argentino com 300 m.a.n.m. As roupas de frio voltaram para as bolsas. As estradas estão sendo recuperadas, mas ainda tem uns 50km antes de Monte Quemado com buracos e deformações no asfalto.

Dia 12 - Deserto de Dali e Passo Jama



Hoje fez abaixo de zero à noite (em Tambo Quemado também). Saímos tarde, 9:00hs, depois de revisar as motos (a minha tinha perdido o clip da emenda da corrente, por sorte a corrente não desmontou). Passando a Villa, viramos à direita, a única indicação que deveríamos virar era uma placa de propaganda do governo Evo. Subimos e descemos cerros com córregos congelados e pastos verdes com llamas. Não existem mais plueblos até o fim da Bolívia. Logo chegamos ao Deserto de Dalí com montanhas coloridas. Passamos por pequenos salares até a Laguna Colorada (80km). Da lá passamos geisers e termas até a Laguna Verde (100km) e mais 5km até a migración boliviana. Detalhe: a aduana está entre as Lagunas Colorada e Verde, saindo da estrada principal por 5km. A estrada é nítida, não há duvida no trajeto, mas é pedreira, muita pedra solta, areia e facões. A paisagem é fantástica, outro planeta. Em um momento qualquer, [paramos um carro para tirar dúvidas da estrada. Vi um monte de gente lá dentro, turistas, sentadas coladas umas nas outras e lembre quando visitei a região em um excursão na minha primeira viagem à Bolívia nestas condições. Realmente, precisava fazer o passeio de novo de moto. E desta vez o percurso ainda foi diferente, então conheci os dois lados do deserto. Chegamos ao Chile (depois de tanto encostar nele durante a viagem, entramos finalmente). Pegamos a estrada do Passo Jama, para mim, pela terceira vez. Uma continuação do Deserto de Dali no Chile, só que no asfalto. Pegamos muito frio e vento (80km/h), fizemos os procedimentos de fronteira e entramos na Argentina. Vamos dormir na fronteira.

Dia 11 - No meio do deserto

Ontem chegamos com as motos recobertas de sal. O Guillermito lavou logo a moto, que estava dando uma pane elétrica. A minha joguei uma água e mais um pouco hoje de manhã. Na última hora veio a dúvida se na fronteira teria a casadinha migración-aduana para sairmos da Bolívia. Fomos conferir e, parece, que a aduna é feita perto da Laguna Colorada, enquanto a migración fica na fronteira mesmo. Entre uma coisa e outra (ainda fomos comprar mais gasolina para colocar em garrafas pet), pegamos a estrada às 9:00h. Estrada de terra larga e boa até. A idéia era dormir em Villa Alota (150km), mas chegamos lá ao meio dia. Seguindo os mapas e o GPS continuamos na mesma estrada (mais 50km). Paramos no Chile! Em um posto aduaneiro no fim do mundo, no meio de vulcões nevados, salares e muito vento. Isso porque não conseguimos encontrar a estrada que, seguindo a cordilheira, nos levaria a Laguna Colorada. Compramos um pouco de gasolina com alguém que tinha em casa. Voltando, procurando a estrada à Laguna, encontramos um guia boliviano que não só indicou a estrada (180km), como avisou que ela estava em péssimo estado. Não conseguiríamos então chegar à Laguna. Voltamos à Alota! Daí conseguimos mais gasolina (muita sorte), enchemos o tanque e várias garrafas. Partimos então para outro caminho, seguindo a dica do guia, e fomos parar em Malku Villa Mar à 50Km. A estrada pior, mais estreita, com costelas e bolsões de areia. Ficamos em uma pousada “cinco estrelas”, a melhor até agora e mais cara. Na Bolívia o caro é relativo. A gasolina de 5 a 10 bolivianos o litro (menos de um Real a pouco mais de dois – depende se conseguimos com preço nacional ou para estrangeiro - sobretaxa). As pousadas variando desde 60, 340 até 530 Bolivianos (10, 50 e menos de 100 Reais para os dois). As refeições de 10, 45 a 90 bolivianos (individual).


sexta-feira, 22 de março de 2013

Dia 10 - Uyuni




Hoje foi o dia mais esperado da viagem – Salar de Uyuni. Saímos 8:00h de Coipasa (continua a mais receptiva). Voltamos à estrada que logo virou para o campo de sal em um local próximo a uma salina. O piso do salar não é homogêneo. Nas suas margens tem água, às vezes como um espelho d’água sobre o sal, mas quase sempre como um atoleiro, uma massa escura sob o sal. No meio tem o sal liso ou irregular, ou como uma retícula com formas geométricas, ou ainda montes, quase lâminas, de sal solto ou compacto como pedra. Atravessamos o Salar de Coipasa, surgiu a expressão: faça seu caminho. Sem estrada, caminho marcado, nada. Apenas um morro de referência do outro lado onde deveríamos chegar pelo sal. Saímos do sal rumo a LLica, já no Uyuni. Estrada ruim com muita costela. Chegamos a Llica às 12:00hs. Conseguimos comprar gasolina (mercadinho), água e algo para comer. Para sair ou entrar em um salar é meio copmplicado, tem que achar o caminho certo ou atola. E aí se perde um certo tempo. Nessa, o placar-vaca está 1X2 (Guillermito tombou no atoleiro que circunda o salar). Fomos seguindo a estrada (marcas no sal) até que me deu conta que não era isso, tínhamos que entrar naquele deserto branco, desgarrando da nossa referência visual das margens. Como tinha estudado a geografia antes da viagens (obrigado Google Earth) logo reconheci a Isla del Pescado, entre outros marcos. Apontamos as motos para lá, cerca de 70km e aceleramos. De repente estávamos no meio do sal, este seco e plano. Na Isla tive que conferir com bússola e mapa a próxima parada, outra isla, mas bem turística, cerca de 40km. Nela paramos, comemos algo. Aí já era possível ver o outro lado do salar (antes não se via). Novamente bússola e mapa, marcamos um ponto na paisagens e nos dirigimos para ele. No caso um pueblo que é a saída do salar. Seguimos mais 120km, mas agora alternando água, irregularidade do terreno e marcas eventuais de pneus. Eventuais porque fizemos nosso caminho, da isla seguem inúmeras rotas marcadas no sal. Não tem como se perder (ou não). Como estava muito fácil, tentamos ir para a cidade de Uyuni sem passar pela saída normal do salar. Pegamos água, toleiros e tivemos que voltar para a saída. Aí quase demos espetáculo para os turista na chegada, novamente pegando o caminho mais difícil. Por fim, fora do salar, mais 40km de estrada ruim e chegamos a Uyuni às 18:00. Atravessar o salar foi uma experiência especial, com certeza está entre os melhores trechos que já fiz de moto. O risco é menor do que esperava. Gasolina, água, GPS, mapa e bússola, um estudo prévio do local e pronto! Só não pode vacilar. Na cidade mais dificuldade para conseguir gasolina, mas enchemos o tanque para amanhã continuar no deserto. Hoje, para compensar ficamos em um bom hotel, com direito a banho quente de primeira!

Dia 9 - Salar de Coipasa




Saímos apenas às 9:00. Tivemos que reequipar as motos, tirá-las do beco. Ainda tomamos um esporo de uma senhora. Parece que o beco era a entrada da casa dela. Então ela ficou presa em casa até sairmos. O café da manhã foi no quarto com o que tínhamos comprado na noite anterior. Em frente ao alojamento uma fila de caminhões se formou, com eles buzinando à La Paz, para entrar no Chile. Depois de desviar dos caminhões entramos na estrada do dia com destino à Huachacalla. Neste trecho o GPS não tinha as estradas de terra. No início estrada ampla, 80-100km/h, ainda dentro do parque Sajama. Depois de Chachacomani começou a piorar até Macaya, mas o visual era incrível. A estrada tem uma sinalização com indicação dos destinos básica, tivemos que parar muito para olhar mapas e pedir informações. No percurso não cruzamos com um veículo, encontramos pouquíssimas pessoas, mesmo nas vilas, quase tudo deserto. Passamos por Cruzani onde a estrada chegou no seu ponto pior, perto de dunas e de um salar pequeno, quase sumia. Depois chegamos a Juni onde chega uma estrada nova de terra, terraplanada. Depois passamos por Khotasi e Khea Kheani onde parei para me informar, pois há um entroncamento, direto segue para Sabaya, à esquerda para Huachacalla, com quilometragem menor. Depois de 4:30h e 140 km chegamos ao nosso destino. Não tinha gasolina na cidade, a indicação de posto no mapa estava certa, mas o mesmo está desativado. Partimos para Sabaya a 30km, da estrada ainda víamos as montanhas de Sajama enquanto atravessávamos um pequeno salar. Compramos gasolina, inclusive enchemos garrafas, para partir para o deserto, afinal ainda era 16:00. Planejamos ir até Coipasa, à beira do salar de mesmo nome. Logo desanimamos, pois a vila não tinha alojamento e o hotel de sal existe estava fechado. Começamos a nos acomodar em Sabaya, preparando para trocar pneus, óleo, etc. No entanto, decidi insistir. Fui à prefeitura e uma senhora conseguiu falar com o médico de Coipasa. Ele garantiu que conseguiria alojamento. Então abortamos nossa permanência em Sabaya e seguimos para Coipasa. Chegamos ao Salar e colocamos as motos no sal. O trecho foi pequeno, mas já deu para sentir a sensação: paramos e curtimos o momento. Em Coipasa, o Dr. Willian nos conseguiu uma pessoa, um senhor, que nos alojou em um centro de visitante em construção, com duas camas, sem água (o senhor conseguiu um tambor de água). Banho? Trocamos os pneus e tudo mais. Jantamos com uma turma do local. Foi o lugar em que fomos melhor recebidos até agora. Outro dia, assistindo a um noticiário, vimos sobre uma pesquisa que, entre quase 170 países, a Bolívia foi considerada aquele que recebia pior o turista. Concordo, mas se sempre existe uma exceção à regra, Coipasa é a exceção.